O governo brasileiro não pode incentivar a demanda baixando
as taxas de juros para facilitar o crédito e abrir mão de receitas com impostos
como o IPI, e não tampouco aumentar os benefícios sociais sem antes resolver
dois problemas difíceis: aumentar a capacidade produtiva e capacitar mão de
obra. Nesta postagem estarei focando como resolver a problemática da mão de
obra, apresentada na postagem anterior.
O país já sentiu que não tem bônus demográfico para suportar
um novo ciclo de aquecimento da economia, ou seja, não temos mão de obra
disponível para atender um aumento de consumo (demanda).
O Estado de Israel, apesar de novo e das constantes guerras,
se tornou a economia mais forte do oriente médio, atraindo investimento
estrangeiro e principalmente imigrantes que vieram formar a manpower no país.
Os países da União Europeia têm boa parte de sua força de trabalho oriunda do
norte da África e do Oriente Médio. Os EUA têm uma grande massa de imigrantes,
principalmente latinos, que vão para o país para formar força de trabalho. Os
grandes centros econômicos do país (região sudeste) foram construídos, em sua
maior parte, com mão de obra procedente
do Nordeste. Mas afinal o que aconteceu com a força de trabalho no país?
Acabou? Como reverter esta situação?
Márcia Almstrom,
diretora de Recursos Humanos da ManpowerGroup no Brasil, disse à BBC Brasil que
o “desprestígio” do ensino técnico criou “uma lacuna no mercado de trabalho”
Para tentar solucionar
esse problema, o governo federal espera elevar o número de matrículas Programa
Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) das atuais 8 milhões
para 12 milhões nos próximos quatro anos.
“O Pronatec foi um
passo decisivo para que nós pudéssemos, de fato, garantir escola, gratuitamente
e qualidade na educação profissional”, disse à BBC Brasil o ministro da
Educação, Henrique Paim.
“O resultado é muito
importante para o país do ponto de vista da competitividade e fará o Brasil se
tornar competitivo”, acrescentou. (Jornal Folha de São Paulo 04/09/2014)
Por que o Brasil acordou tão tarde? Porque aqui no País, se
toma decisões por necessidade, ou por medidas populistas. Não temos um
planejamento direcionado para o crescimento do país sem pensar marketing
político. O Pronatec nasceu por necessidade, para atender uma lacuna que estava
sendo deixada por se ter foco no nível superior. O governo gasta quatro vezes
mais com um aluno do nível superior do que com um aluno da educação básica. Este
é um dos poucos pontos positivos do governo do PT, porque anteriormente este
número era de 11 vezes, dados da OCDE - Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico.
O governo ainda precisa muito investir em educação, o
nosso desempenho é nanico se comparado com outros países. Abaixo transcrevo uma
pequena parte de uma matéria dos jornalistas Leonardo Vieira e Andrea Rangel publicada
no Jornal o Globo com o título: Brasil é o penúltimo em ranking internacional
de investimento por aluno. Em 09/09/2014.
“De acordo com o
estudo, o gasto médio anual brasileiro por estudante, de US$ 3.066 em 2011, só
supera os US$ 625 da Indonésia. Os valores nacionais são inferiores aos de
países de renda similar, como Turquia (US$ 3.240), México (US$ 3.286) e Hungria
(US$ 5.410) e muito distantes da média de US$ 9.487 do conjunto de países que
compõem a OCDE (organização da qual o Brasil não faz parte). No topo da tabela
figuram nações como Suíça (U$ 16.090) e Estados Unidos (US$ 15.345).
O relatório da
OCDE destrincha ainda os investimentos per capita por segmento da educação. E o
resultado tampouco é animador. No que tange ao ensino médio em 36 nações
analisadas, por exemplo, o Brasil só ganha de Indonésia e Colômbia em montante
empenhado. Nosso valor, de US$ 2.605 por aluno, fica atrás dos de Argentina
(US$ 3.184), Turquia (US$ 3.239) e México (US$ 4.034).”
Minha opinião particular, o governo deveria investir em mais
Escolas Técnicas (CEFETs). Sou um ex-aluno de Escola Técnica Federal, onde
tínhamos um bom ensino médio atrelado a um ótimo curso técnico.
A problemática de formação de capital humano no Brasil, vai
além de ter muitas escolas técnicas e boas universidades. Temos uma dificuldade
estrutural e motivacional. Segundo o economista Alexandre Schwartsman a população
economicamente ativa cresce entre 1% a 1,5% ao ano. No primeiro trimestre de
2014 a população cresceu 1,3% e a geração líquida de emprego foi próximo a 0% e
mesmo assim não se tinha mão de obra disponível no mercado. Gilberto de
Figueredo, diretor do SENAI-MT, disse em entrevista a Globo News que, ficam
sobrando vagas porque falta interesse em qualificação. O jornal folha de São
Paulo em 04/09/2014, traz uma matéria sobre as dez áreas de maior escassez de
mão de obra no Brasil, entre elas estão: Engenharia e profissionais de TI. Em uma reportagem do globo News sobre o apagão
de mão de obra no Brasil, aponta que nas universidades faltam interessados para
preencherem vagas em engenharia e tecnologia da informação. Em engenharia ficam
ociosas: 28% das vagas em engenharia civil; 31 das vagas em engenharia eletrônica
e 52% das vagas de engenharia de petróleo. Já na área de tecnologia da
Informação ficam ociosas: 61% das vagas para ciência da computação; 62% das
vagas de administração de redes e 79% das vagas de análise de sistema. Então
como motivar os jovens a se qualificar?
Um dos pontos é atrelar os benefícios sociais a um objetivo
a ser alcançado. Eles não podem ser definitivos, o governo tem que o relacionar
a uma meta pertinente com estudo ou qualificação profissional. O indicador do
governo seria quantos jovens deixaram os benefícios sociais para entrarem no
mercado de trabalho (menor aprendiz) e não alardear quantos jovens recebem o
benefício do governo. Outro ponto é fazer uma forte campanha motivacional,
falando da necessidade e da importância da juventude para formação do futuro do
país.
Marcos Avelino
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