domingo, 23 de novembro de 2014

COMO RELSOLVER O PROBLEMA DE MÃO DE OBRA NO BRASIL?


O governo brasileiro não pode incentivar a demanda baixando as taxas de juros para facilitar o crédito e abrir mão de receitas com impostos como o IPI, e não tampouco aumentar os benefícios sociais sem antes resolver dois problemas difíceis: aumentar a capacidade produtiva e capacitar mão de obra. Nesta postagem estarei focando como resolver a problemática da mão de obra, apresentada na postagem anterior.

O país já sentiu que não tem bônus demográfico para suportar um novo ciclo de aquecimento da economia, ou seja, não temos mão de obra disponível para atender um aumento de consumo (demanda).

O Estado de Israel, apesar de novo e das constantes guerras, se tornou a economia mais forte do oriente médio, atraindo investimento estrangeiro e principalmente imigrantes que vieram formar a manpower no país. Os países da União Europeia têm boa parte de sua força de trabalho oriunda do norte da África e do Oriente Médio. Os EUA têm uma grande massa de imigrantes, principalmente latinos, que vão para o país para formar força de trabalho. Os grandes centros econômicos do país (região sudeste) foram construídos, em sua maior parte,  com mão de obra procedente do Nordeste. Mas afinal o que aconteceu com a força de trabalho no país? Acabou? Como reverter esta situação?

Márcia Almstrom, diretora de Recursos Humanos da ManpowerGroup no Brasil, disse à BBC Brasil que o “desprestígio” do ensino técnico criou “uma lacuna no mercado de trabalho”

Para tentar solucionar esse problema, o governo federal espera elevar o número de matrículas Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) das atuais 8 milhões para 12 milhões nos próximos quatro anos.

“O Pronatec foi um passo decisivo para que nós pudéssemos, de fato, garantir escola, gratuitamente e qualidade na educação profissional”, disse à BBC Brasil o ministro da Educação, Henrique Paim.

“O resultado é muito importante para o país do ponto de vista da competitividade e fará o Brasil se tornar competitivo”, acrescentou. (Jornal Folha de São Paulo 04/09/2014)

Por que o Brasil acordou tão tarde? Porque aqui no País, se toma decisões por necessidade, ou por medidas populistas. Não temos um planejamento direcionado para o crescimento do país sem pensar marketing político. O Pronatec nasceu por necessidade, para atender uma lacuna que estava sendo deixada por se ter foco no nível superior. O governo gasta quatro vezes mais com um aluno do nível superior do que com um aluno da educação básica. Este é um dos poucos pontos positivos do governo do PT, porque anteriormente este número era de 11 vezes, dados da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O governo ainda precisa muito investir em educação, o nosso desempenho é nanico se comparado com outros países. Abaixo transcrevo uma pequena parte de uma matéria dos jornalistas Leonardo Vieira e Andrea Rangel publicada no Jornal o Globo com o título: Brasil é o penúltimo em ranking internacional de investimento por aluno. Em 09/09/2014.

 

“De acordo com o estudo, o gasto médio anual brasileiro por estudante, de US$ 3.066 em 2011, só supera os US$ 625 da Indonésia. Os valores nacionais são inferiores aos de países de renda similar, como Turquia (US$ 3.240), México (US$ 3.286) e Hungria (US$ 5.410) e muito distantes da média de US$ 9.487 do conjunto de países que compõem a OCDE (organização da qual o Brasil não faz parte). No topo da tabela figuram nações como Suíça (U$ 16.090) e Estados Unidos (US$ 15.345).

O relatório da OCDE destrincha ainda os investimentos per capita por segmento da educação. E o resultado tampouco é animador. No que tange ao ensino médio em 36 nações analisadas, por exemplo, o Brasil só ganha de Indonésia e Colômbia em montante empenhado. Nosso valor, de US$ 2.605 por aluno, fica atrás dos de Argentina (US$ 3.184), Turquia (US$ 3.239) e México (US$ 4.034).”

 

Minha opinião particular, o governo deveria investir em mais Escolas Técnicas (CEFETs). Sou um ex-aluno de Escola Técnica Federal, onde tínhamos um bom ensino médio atrelado a um ótimo curso técnico.

A problemática de formação de capital humano no Brasil, vai além de ter muitas escolas técnicas e boas universidades. Temos uma dificuldade estrutural e motivacional. Segundo o economista Alexandre Schwartsman a população economicamente ativa cresce entre 1% a 1,5% ao ano. No primeiro trimestre de 2014 a população cresceu 1,3% e a geração líquida de emprego foi próximo a 0% e mesmo assim não se tinha mão de obra disponível no mercado. Gilberto de Figueredo, diretor do SENAI-MT, disse em entrevista a Globo News que, ficam sobrando vagas porque falta interesse em qualificação. O jornal folha de São Paulo em 04/09/2014, traz uma matéria sobre as dez áreas de maior escassez de mão de obra no Brasil, entre elas estão: Engenharia e profissionais de TI.  Em uma reportagem do globo News sobre o apagão de mão de obra no Brasil, aponta que nas universidades faltam interessados para preencherem vagas em engenharia e tecnologia da informação. Em engenharia ficam ociosas: 28% das vagas em engenharia civil; 31 das vagas em engenharia eletrônica e 52% das vagas de engenharia de petróleo. Já na área de tecnologia da Informação ficam ociosas: 61% das vagas para ciência da computação; 62% das vagas de administração de redes e 79% das vagas de análise de sistema. Então como motivar os jovens a se qualificar?

Um dos pontos é atrelar os benefícios sociais a um objetivo a ser alcançado. Eles não podem ser definitivos, o governo tem que o relacionar a uma meta pertinente com estudo ou qualificação profissional. O indicador do governo seria quantos jovens deixaram os benefícios sociais para entrarem no mercado de trabalho (menor aprendiz) e não alardear quantos jovens recebem o benefício do governo. Outro ponto é fazer uma forte campanha motivacional, falando da necessidade e da importância da juventude para formação do futuro do país.

 

Marcos Avelino

Nenhum comentário:

Postar um comentário