quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O BANCO CENTRAL AGIU CERTO AO SUBIR A TAXA DE JUROS?


O BANCO CENTRAL AGIU CERTO AO SUBIR A TAXA DE JUROS?

Antes de comentar sobre os investimentos para aumentar a capacidade produtiva no país, vou abrir um parêntese para explanar sobre o aumento das taxas de juros que é o assunto do momento.

Durante a campanha presidencial a taxa de juros foi assunto de debates, essa foi uma das bandeiras da presidente eleita no primeiro mandato, e na reeleição ela afirmava que se eleito o seu oponente Aécio Neves ia subir a taxa de juros. Não respondia com clareza quando indagada como resolveria o problema da inflação, aliás ela não reconhecia a inflação no seu governo. Três dias após sua reeleição o Banco Central sobe a taxa de juros de 11% para 11,25%. Será que o Banco Central tem autonomia? Será que a inflação era de apenas 6,5%? Será que o Banco Central agiu certo em subir a taxa de juros?

Vejamos como ficou a taxa de juros se comparado com as principais economias. Segue

abaixo uma matéria da Folha de São Paulo publicada em 31/10/2014

Com nova alta dos juros, Brasil se distancia no ranking global das taxas


Por Dinheiro Público & Cia

30/10/14 11:29
Com a nova alta dos juros promovida pelo Banco Central, o Brasil se distanciou na liderança do ranking global das taxas.

Se descontada a inflação esperada pelo mercado brasileiro nos próximos 12 meses, os juros do BC subiram de 4,34% para 4,58% ao ano.

Trata-se da maior taxa entre as 40 principais economias, segundo levantamento do site Moneyou.

A taxa brasileira, elevada de 11% para 11,25%, é a terceira do grupo, atrás de Argentina e Venezuela. Mas os dois países vizinhos vivem uma disparada da inflação, que supera seus juros.

O mundo vive uma era de juros excepcionalmente baixos, em especial nos países mais ricos -que reduziram suas taxas para atenuar os efeitos da crise internacional.

Para estimular o crédito, o consumo e os investimentos, os juros estão abaixo da inflação nos Estados Unidos, na maior parte da Europa e no Japão.

Folha de são Paulo sexta-feira, 31 de outubro de 2014

 
Com base em que “Para estimular o crédito, o consumo e os investimentos, os juros estão abaixo da inflação nos Estados Unidos, na maior parte da Europa e no Japão.” Muitos economistas e entidades de classe discordam que para resolver o problema da inflação o BC não precisava aumentar a taxa de juros. Por que o Brasil não pode usar do mesmo modelo para aquecer a encomia?

Vejamos alguns comentários:

A paulada veio e a taxa Selic aumentou em 0,75%, com a sinalização de que, até o final do ano, estará próxima dos 12%. A “paulada” foi dada, mas nos investimentos. Elevar a taxa básica de juros, a Selic, é um crime contra o investimento produtivo. A intenção do presidente do Banco Central, de dar uma “paulada” nos juros, significa um tiro de canhão nos investimentos, justamente em um momento que o País precisa investir para que não haja inflação de demanda (março de 2010 foi o melhor mês da história da indústria de máquinas em faturamento, mas o aumento da taxa de juros poderá comprometer a continuidade desta recuperação).” Luiz Aubert Neto Presidente da ABIMAQ

O Globo Economia de 29/10/2014 comenta:

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a elevação da taxa Selic de 11% para 11,25% ao ano promovida nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Na avaliação da entidade, o aumento do custo do dinheiro irá afetar a confiança de empresas e consumidores em um momento em que a atividade econômica já está estagnada. O temor é que esse cenário acabe por afetar os níveis de emprego no país. (....)

A decisão do Copom também desagradou a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Ablipast). Na avaliação do dirigente da entidade, José Ricardo Roriz Coelho, o juro mais alto não será suficiente para controlar a inflação e ainda irá frear o crescimento da economia. “Aumentar os juros não vai contribuir em nada para diminuir a inflação, até porque, o crescimento do PIB deste ano deve ser zero, logo, não há como frear a economia. Para levar a inflação a níveis mais baixos é preciso urgentemente diminuir o custo de se produzir no Brasil e incentivar investimentos que aumentem a oferta e a concorrência”, afirmou, em nota. (....)

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) foi outra a desaprovar o aumento da Selic. Para o presidente da entidade, Carlos Cordeio, a Selic maior irá dificultar ainda mais o crescimento da economia. “

Na minha opinião o Banco Central agiu certo em subir a taxa SELIC para 11,25 pois qualquer medida para aumentar o consumo vai piorar a situação econômica. Estamos com a capacidade produtiva totalmente tomada, e se o governo estimular o consumo através de juros baixos vai gerar inflação e a fragilidade externa. Já podemos sentir influência deste fator no resultado da balança comercial no mês de outubro, que foi o pior dos últimos 16 anos -1,17 bilhão. Este não é problema para o EUA, nem para a União Europeia, nem para o Japão, que tem uma demanda menor que a capacidade produtiva e mão de obra abundante com muito imigrantes.


No Brasil, no primeiro mandato do governo LULA, tinha uma capacidade produtiva bem maior que a demanda e muita gente fora do mercado de trabalho. Ele conseguiu expandir o PIB, usando a mesma metodologia que os países acima citados. Com juros mais baixos, redução de impostos para alguns segmentos âncora, dando benefício sociais e aumento das exportações para a China conseguiu reduzir a inflação.

O governo da Dilma começou com a demanda aquecida e capacidade produtiva totalmente comprometida, e se o governo tentar crescer além da capacidade produtiva vai gerar inflação e fragilidade externa.

E preciso investir para tentar aumentar a capacidade produtiva. Com uma política que prioriza o consumo, o povo brasileiro não fez poupança, e se endividou. Agora com os juros mais altos é hora de pagar o que deve, ter menos consumo, menos crédito, investir em títulos da dívida pública e renda fixa ou na poupança. Estabilizar para investir na capacidade produtiva.

Ainda temos o problema da mão de obra a salientar no Brasil. Diferente dos imigrantes árabes que entram no União Europeia e dos Latinos que Entram nos Estados Unidos, este vão dispostos a trabalhar para mudar de vida, no Brasil boa parte da população que se torna economicamente ativa é cara e não é produtiva. (Este é assunto para próximas postagens)

 

Marcos Avelino

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