sábado, 15 de novembro de 2014

O APAGÃO DE MÃO DE OBRA NO BRASIL


O APAGÃO DE MÃO-DE-OBRA NO BRASIL

Duas semanas atrás, a responsável pelo recrutamento e seleção de uma empresa em Fortaleza me falava das dificuldades em contratar mão de obra. A empresa em que ela trabalha é composta por duas áreas: uma de fabricação, e outra de montagem. Na parte de fabricação a empresa já havia abdicado de certas exigências como: ensino médio; experiência; morar próximo a empresa e mesmo assim ainda estava com dificuldades em captar candidato. Na parte de montagem, onde tem um ambiente climatizado, os candidatos são selecionados, visitam o local de trabalho e na hora de acertar o salário desistem. O piso da categoria não é atraente. Falei para ela que isso que está acontecendo é um retrato do país.  Nesta postagem quero falar sobre o apagão de mão de obra no Brasil, a crise na indústria.

Uma pesquisa feita pela fundação Dom Cabral mostra que 91% das companhias pesquisadas tem dificuldades na contratação de profissionais, especialmente para vagas de compradores, técnicos, administradores, gerentes de projetos e trabalhador manual.1

“A questão da mão de obra virou um grande gargalo no Brasil, sem previsão de melhora no curto e médio prazo”, diz professor Paulo Resende, responsável pela pesquisa com 167 grandes grupos que empregam mais de 1 milhão de pessoas e cujo faturamento responde por 23% do PIB. 2

Acredito que em 2015, esse quadro vai ter uma ligeira melhora devido a diminuição de postos de trabalho oferecido pela indústria no país.

O jornal Folha de São Paulo de 04/09/2014 expõe a geração da problemática da seguinte forma:

A falta de preparo do trabalhador brasileiro e o estigma associado aos cursos profissionalizantes- que faz com que mais jovens ainda prefiram optar pela universidade do que pela escola técnica – criou sérios problemas para as empresas brasileiras na busca por mão de obra.

Uma pesquisa da empresa de recrutamento ManPowerGroup, divulgada no mês passado, que a taxa de escassez de talentos (mão de obra qualificada) no Brasil é de 63%, quase o dobro da média mundial (36%). Foram ouvidos na sondagem mais de 37 mil empregadores de 42 países e territórios.

Outro levantamento, da Fundação Dom Cabral (FDC), em São Paulo, publicado em Abril deste ano, diz que nove entre cada dez empresas brasileiras apresentam dificuldades em preencher seus quadros.

As companhias citam a escassez de profissionais capacitados (83,23%) e a deficiência na formação básica (58,08%) como os principais entraves para assistir carteiras. O estudo foi realizado com base em dados fornecidos por 167 empresas de diferentes setores que, juntas, respondem por 23% do PIB.

Sem saída as empresas acabam abrindo mão de exigências como experiência, pós-graduação e fluência no Inglês para contratar. Além disso, oferecem pacote de benefícios para reter os profissionais já contratados.

Com funcionários menos produtivos, a competitividade dos produtos brasileiros acaba prejudicada. Hoje, um brasileiro leva um dia para produzir o equivalente a um americano em cinco horas, um alemão em seis horas, e um chinês em oito horas.3 (...)

Além de menos produtivo, mais caro, levando a indústria a perder competitividade. De 2002 a 2012 o Salário mínimo subiu 239% enquanto o IPCA 99%. A margem de lucro das empresas caiu de 12% para 6%. Com a crise na indústria, com cortes esse fator fica mais explícito.

“Nossa produtividade vem crescendo a um ritmo menor do que o custo do trabalhador. A empresa precisa pagar essa diferença, ou corrigindo os preços e gerando inflação, ou reduzindo investimentos. Nos dois casos, o crescimento da nossa economia é afetado” afirmou à BBC Brasil Jose Pastore, professor de economia da USP e ex-chefe da Assessoria Técnica do Ministério do Trabalho.4

A revista EXAME em 26/10/2014 publicou uma matéria com o Título: Industria corta empregos, mas custos se mantém. Onde afirma:

O alto custo com demissões e a escassez de mão-de-obra qualificada explicam por que a indústria não tem conseguido enxugar os gastos com folha de pagamento em ritmo satisfatório, apesar de meses de cortes no número de empregados. (...)

Em Crise, a indústria corta vagas há 35 meses consecutivos, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e salário (Pimes) do IBGE.

No entanto a folha de pagamento só encolheu nos últimos três meses divulgados pela pesquisa, de julho a agosto, na compararão com o mesmo mês do ano anterior. No ano, enquanto o número de empregados diminuiu 2,7%, a folha de pagamento cresceu 0,4%(...)

A pesquisa Mensal de Empregos (PME), também do IBGE, mostrou que a tendência de corte de postos de trabalho na indústria manteve-se em setembro.

O parque industrial das seis principais regiões metropolitanas do País demitiu 59 mil pessoas em apenas um mês. No período de um ano, as dispensas já somam 238 mil vagas “No ano, a indústria é a atividade que ostenta a maior perda de pessoal ocupado”, confirmou Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.5

A Falta de Investimento na Capacidade Produtiva, comentada na postagem anterior, Incluem também o preparo de pessoal para atender a necessidade do próximo ciclo de aquecimento da economia. Para o texto não ficar muito longo, na próxima postagem estarei comentado sobre o que se deve fazer para resolver o problema de mão-de-obra e criar um bônus demográfico.

 

Fontes:

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1.           A crise industrial e o baixo crescimento econômico – Economia- Estadão: disponível em: http://economia.estadao.com.br/notícias/

2.           Ibid.,

3.           Barrucho, Luís Guilherme. Conheça dez áreas com escassez de mão de obra no Brasil 04/09/2014, BBC, Folha de São Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br

4.           Ibid.,

5.           Industria corta empregos, mas custos se mantêm, Revista EXAME, 10/11/2014 disponível em: http://exame.abrial.com.br/negocios/

 

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