Respondendo as indagações da postagem anterior: Como resolver o problema
de gestão no país? Como reverter agir para o tesouro ter superávit? Como erguer
o país dos escombros? Como reconstruir o país?
Este deve ser um processo longo e difícil. É preciso tomarem as medidas
certas pensando no país e não ações populistas e eleitoreiras que levarão o
país a ruínas. Mesmo após todo esse processo doloroso o resultado só virá após
os próximos três anos. Entre essas medidas posso citar: reforma política para
tornar a gestão mais eficiente; investimentos para aumentar a capacidade
produtiva no país; rever a “nova matriz econômica” de Guido Mantega; autonomia
operacional para o Banco Central, aumento da taxa de juros; política
industrial; rever forma de feedback para os benefícios sociais e acima de tudo
homens e mulheres que ame o país e seja comprometido com ele.
1 – REFORMA POLITICA PARA TORNAR A GESTÃO MAIS EFICIENTE
Quando os gastos estão maiores que as receitas, aumentando a dívida, a
primeira ação a ser tomada é a redução de gastos. Reduzir gastos, diminuir
estrutura não é assim tão fácil. Principalmente para um governo que vai herdar
um enorme passivo, por estas estruturas montadas por ele mesmo com objetivo de
perpetuação no poder e de “governabilidade”.
A primeira medida para que o Boeing do estado brasileiro não perda
altitude da competitividade e a reforma política com redução de 39 ministérios
para 24.
Se compararmos o número de ministérios brasileiros com a de outros
países teremos diferenças gritantes. O
governo americano funciona com quinze ministérios. Portugal tem doze. A
Alemanha, quatorze. A Itália tem dezessete. O Chile a economia mais estável da
américa do sul tem vinte e três e a Colômbia a economia que mais cresce na
américa do sul tem dezesseis.
O Brasil estreou a República com poucos ministérios. O marechal Deodoro
da Fonseca estruturou seu governo com oito pastas. Na República Velha, tivemos,
em média, nove ministérios, que viraram dez com Getúlio Vargas e 11 com
Juscelino Kubitschek. No final do regime militar, João Figueiredo governava com
16 ministros.1
Com a redemocratização — e premido pela necessidade de acomodar com
cargos o arco de alianças políticas que o apoiava —, Tancredo Neves desenhou
uma Esplanada com 23 ministérios. Que viraram 31 com José Sarney, Fernando
Henrique Começou seu mandato com 24, e Luiz Inácio Lula da Silva começou com 24
e Dilma Rousseff no seu primeiro mandato governou com 39 ministros.
Embora, a redução com salários dos servidores públicos não seja
expressiva, por estes terem estabilidade, eles serão realocados para outra
pasta tornando a gestão mais eficientes. Diminuindo a necessidade de contratação de servidores para estas pastas, para não continuar aumentando a máquina estatal.
Há mais de uma razão para o corte no número de ministérios. A economia
com funcionários comissionados, passagens áreas, combustível, aluguel de
imóveis não seria desprezível. "A redução tem de vir acompanhada de um
novo modelo de gestão pública. É preciso refundar a administração pública em
parâmetros racionais, para produzir serviços de boa qualidade para a população.
É isso que as ruas estão pedindo", diz o professor José Matias-Pereira.2
A opção por um governo grande, que se desdobra em tentáculos cada vez
mais numerosos e cada vez mais difíceis de serem fiscalizados, revela uma visão
capenga dos governantes. Um estudo publicado em 2008 na Áustria analisou o tamanho da máquina administrativa em
197 países e concluiu que equipes grandes são sinais de ineficiência de gestão.
Pode-se especular sobre qual dos dois fatores é a causa e qual é o efeito. Mas
é fato que a relação existe. Os pesquisadores apontaram até mesmo um
"coeficiente de eficiência" que identifica como ideal um número em
torno de vinte pastas.3
Em um país dominado pela corrupção como o Brasil, mais ministérios, mais oportunidade de desvios das verbas públicas. Já tivemos vários escândalos nos ministérios como no dos Transportes, da Agricultura e da Casa Civil, do Turismo e das Cidades.
O ministério dos Transportes, dominado pelo PR de Valdemar Costa Neto ao
longo do governo Lula, sofreu uma devassa e a presidente precisou intervir,
trocando todo o comando do Ministério e o Dnit, o departamento que cuida das
rodovias. Já o Ministério da Agricultura e suas empresas subordinadas, como a
Conab (de abastecimento), sempre foram feudos do PMDB. Demitido sob suspeitas
de irregularidades e denúncias de corrupção, o ex-ministro Wagner Rossi
(PMDB-SP) foi acusado de montar na pasta uma “central de negócios”. O mesmo
acontece com o Ministério do Trabalho, comandado pelos sindicatos e pelo PDT do
ex-ministro Carlos Lupi, também apeado do cargo ao final de denúncias de
corrupção na pasta. Já o de O mesmo aconteceu no Ministério do Esporte, sempre
comandando pelo PCdoB desde que o PT chegou ao Planalto. 4
Segundo levantamento feito pela ONG Contas Abertas, publicado pela
revista VEJA, o orçamento das pastas dos ministérios que deveriam ser extintos
em 2013 soma 72 bilhões de reais. O corte significaria economia de recursos e
do tempo da presidente Dilma Rousseff.
Ministério
|
Ministro
|
Total
|
Porque deve ser Extino
|
Pesca
|
Marcelo
Crivella
|
635.748.337,00
|
É muito provável que todos os outros
países do mundo estejam certos: não faz sentido ter um ministério para
dedicar-se exclusivamente ao tema.
|
Assuntos Estratégicos
|
Marcelo
Néri
|
26.546.318,00
|
Na prática, nunca exerceu a função a
que se propunha - de pensar ações estratégicas para o país a longo prazo. A
presidente Dilma Rousseff simplesmente ignora a opinião do ministro Marcelo
Néri - que, aliás, ocupa o cargo interinamente há quatro meses, desde que
Moreira Franco deixou o posto.
|
Turismo
|
Gastão
Vieira
|
3.460.464.231,00
|
O ministério tem ocupado o noticiário
apenas por causa de sucessivos escândalos de corrupção. A promoção do turismo
no país pode ser feita pela Embratur, que, por 37 anos, funcionou sob o
guarda-chuva do ministério do Esporte e Turismo. Em 2003, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva resolveu desmembrá-lo.
|
Políticas para as Mulheres
|
Eleonora
Menicucci
|
193.299.917,00
|
Quando não está pedindo a suspensão
de comerciais na TV e tentando interferir no roteiro de novelas da Globo, a
secretaria desaparece. A elaboração de políticas públicas para as mulheres
não depende de um ministério específico.
|
Promoção da Igualdade Racial
|
Luiza
Bairros
|
97.535.950,00
|
O caso é semelhante ao da Secretaria
de Políticas para Mulheres. O combate ao preconceito, sem ceder aos
interesses de grupos radicais, não deve ser tema de um ministério específico,
como se as outras áreas do governo não precisassem se preocupar com o tema
|
Comunicação Social
|
Helena
Chegas
|
175.511.333,00
|
O órgão apenas divulga as atividades
da presidente e distribui verbas de publicidade. Não há razão para ser
comandado por um ministro de estado.
|
Gabinete de Seg. Institucional
|
José
Elito Siqueira
|
11.110.475,59
|
sucessora da antiga Casa Militar,
resquício da ditadura, a pasta não precisa ter status de ministério.
|
Desenvolvimento Agrário
|
Pepe
Vargas
|
10.594.948.297,00
|
Poderia ser absorvido pelo Ministério
da Agricultura. Criado no governo Fernando Henrique, o ministério dedica-se
exclusivamente à reforma agrária – como se o tema não tivesse relação com a
produção rural. Essa separação, que impede a elaboração de políticas públicas
mais amplas para o setor, é um dos fatores que prejudicam a vida do produtor
rural no país
|
Aviação Civil
|
Moreira
Franco
|
36.459.388,00
|
Pode ser plenamente incorporado ao
Ministério dos Transportes - o que pouparia recursos e aumentaria a
eficiência da administração pública sobre o tema. É bom lembrar que já existe
uma Agência Nacional de Aviação Civil e um órgão para gerir aeroportos, a
Infraero
|
Portos
|
Leônidas
Cristino
|
1.325.789.399,00
|
A pasta deveria ser incorporada ao
Ministério dos Transportes, que tem a função de pensar a política para o
setor de forma integrada.
|
Cidades
|
Aguinaldo
Ribeiro
|
24.280.972.404,00
|
Criada pelo governo Lula sob o
pretexto de melhorar os recursos para a habitação, o saneamento e os
transportes, a pasta tem atribuições que se chocam com as de outros
ministérios.
|
Cultura
|
Marta
Suplicy
|
3.903.948.065,00
|
Pode ser incorporado ao Ministério da
Educação, da qual fazia parte até 1985, quando José Sarney resolveu
desmembrar as pastas.
|
Relações Institucionais
|
Ideli
Salvatti
|
2.357.720,00
|
Os tropeços na gestão de Dilma
Rousseff apenas comprovam que a designação de um ministro específico para
lidar com o Congresso pode ser recebido pelos parlamentares como um sinal de
desprezo do governo.
|
Integração Nacional
|
Fernando
Bezerra Coelho
|
26.951.137.805,00
|
Em vez de centralizar o dinheiro da
federação para depois distribuí-lo aos estados conforme os critério de
Brasília, o governo deveria aumentar a autonomia dos estados para gerir seus
próprios recursos - e apoiá-los, quando necessário, por meio dos ministérios
específicos de cada área.
|
Direitos Humanos
|
Maria
do Rosário
|
324.028.997,00
|
criado sob uma bandeira nobre, tem
servido apenas para gerar ideias absurdas, como a de criar cotas para
professores gays nas escolas, ou ressoar declarações descabidas do ministro
da vez – no caso, a petista radical Maria do Rosário.
|
72.019.858.636,59
|
Após a reforma ministerial, cada ministério deve prestar conta ao
público anualmente. O povo brasileiro deve avaliar se os ministérios estão
cumprindo a missão para o qual foi criado. Assim como as sociedades anônimas
publicam por lei as suas demonstrações contábeis, os órgãos públicos
devem publicar como foi gasto os recursos públicos. Afinal todo brasileiro e
acionista da máquina estatal.
Se o ministério não estiver cumprindo a missão para que foi criado deve
ser extinto, pois não tem utilidade pública, é gasto desnecessário.
Marcos Avelino
________________________
1.
Gabriel Castro, Ministérios: por que Dilma
deveria enxugar a máquina, veja , 13
de Julho de 2013.
2.
Ibid.,
3.
Ibid.,
4.
Maria Lima, Em dez anos, total de ministério
quase dobrou, O globo, 17 de novembro
de 2012.
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